Municípios têm merenda escolar afetada por conta da seca

 A seca tem afetado diversas regiões brasileiras e agora pode atingir a merenda escolar de Municípios do Sul e Nordeste do país. A queda na participação dos produtos dos pequenos agricultores na merenda dos alunos da rede pública de ensino reflete os prejuízos provocados pela estiagem. Os produtores nordestinos foram, ao lado dos sulistas, os mais afetados pela estiagem este ano no país.

De acordo com o prefeito de Araripe (CE), Jose Humberto Germano, o Município da região de Cariri Oeste, com 21 mil habitantes, perdeu mais de 80% da lavoura. “Não chove desde março e a estiagem atingiu a produção de mandioca, milho e feijão. Esses são os produtos usados na merenda escolar, em especial a mandioca”, relata.
 
Araripe ainda abastece vários Municípios dos arredores, como Potengi, Campos Sales e em Pernambuco, Ipubi e Feira Nova. Esses Municípios também devem passar dificuldades com a merenda escolar.
 
Araripe fornece merenda para mais de sete mil estudantes do Ensino Básico. Algumas escolas de Ensino Integral oferecem quatro refeições por dia para os estudantes. Para não deixar faltar merenda, a prefeitura prevê um gasto adicional de 30% para a compra de mais produtos. “Além de gastar mais, deixaremos de gastar com os produtos da região e teremos de comprar de fora”, avalia.
 
Vergonha
Para o prefeito é uma vergonha o valor de R$ 0,30 por aluno que a União repassa para os Municípios. “Nós completamos esse dinheiro com mais R$ 0,30 por aluno e tentamos adaptar os pratos para dar refeições nutritivas para os estudantes. É um completo absurdo o governo achar que com R$ 0,30 é possível pagar toda a merenda de um aluno”, reclama.
 
Para o secretário de Desenvolvimento Agrário de Araripe, Rutemberg Fortaleza a estiagem causou um considerável impacto em toda a economia do Município. “Aqui, se a agricultura vai mal, toda a economia vai mal, afeta todos os setores. No comércio, por exemplo, já estimamos perdas em torno de 20% a 30%”, declarou.
 
“É muito difícil atingir a meta de no mínimo 30% de produtos locais na merenda escolar. Tínhamos um padrão acima desta meta até o primeiro semestre deste ano (42%), mas tivemos muitas perdas. Vamos aguardar o inverno para tentar retomar isso”, explicou Fortaleza.
 
Região Sul
Na outra ponta do mapa, na Região Sul do país, a seca não causou problemas sérios ao abastecimento das merendas, mas prejudicou o comércio. Pelas contas da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Rio Grande do Sul (Emater-RS), as perdas dos produtores locais de soja e milho chegam a quase 80% da produção. No caso do leite, a estimativa aponta queda de 40% na produção. As perdas podem chegar à R$ 1,5 bilhão só na agricultura.
 
O Município de Ijuí no Rio Grande do Sul é responsável pelo abastecimento de merenda escolar em outros três Municípios vizinhos - Cruz Alta, Santo Ângelo e Carazinho -, atendendo 56 escolas estaduais e municipais desta região.
 
O coordenador do núcleo de produção vegetal, Eloir Torres Haas, explica que o Município adaptou a merenda escolar, pois não tiveram entrega de milho e alface durante alguns meses por conta da seca. “Fizemos uma parceria com o Emater e com os pequenos agricultores da região para melhorar a irrigação, mas a maioria dos produtos está voltando à entrega normal aos poucos”.
 
A produção agrícola de pequeno e médio porte no Município é variada em tipos de cultivo e complementada pelas agroindústrias que produzem, principalmente, derivados de carne, como linguiça, e panificados como biscoitos e pães. “Mais de 30 produtos destas fontes compõem a merenda”, acrescentou Haas.

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