Fogo ameaça Parque Nacional

Cerca de seis mil hectares (60 quilômetros quadrados) de área foram consumidos por focos de incêndios florestais, nos últimos dez dias, nos municípios de Andaraí, Mucugê e Itaetê, que fazem divisa com o Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD).

A estiagem, que se prolonga há oito meses na Chapada e no oeste da Bahia, levou o governo do Estado a decretar situação de emergência em 60 municípios do interior, por recomendação da Defesa Civil da Bahia (Cordec).

A região afetada pelas chamas na Chapada é equivalente a 83 vezes o tamanho do Parque da Cidade (72 hectares), no Itaigara; 80 vezes a área do Parque São Bartolomeu, no subúrbio; 13 Parques de Pituçu, entre a Av. Paralela e a orla atlântica; ou 6 mil campos oficiais de futebol.

O chefe do Parque Nacional da Chapada Diamantina (PNCD), o analista ambiental Bruno Lintomen, afirma que o trabalho de combate ao fogo foi intensificado para evitar que as chamas cheguem à área do parque, que possui 152 mil hectares.

"Entre o segundo semestre do ano passado e primeiro semestre desse ano, perdemos cerca de sete mil hectares de área do parque. Todo nosso esforço é para que isso não ocorra novamente", assegura Lintomen, que conta com uma equipe diária de 60 brigadistas.

Ele diz que, embora a localização das chamas seja de fácil acesso, próximo à região das Piabas e do assentamento Salobrinho, o maior problema enfrentado pelos brigadistas é a densidade das labaredas. "Estão queimando árvores altas, difíceis de combater", diz.

Segundo Lintomen, as equipes trabalham com o apoio de carros-pipa e bombas hidráulicas, além de contar com o auxílios de duas aeronaves enviadas pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), órgão federal que administra o parque.

Falta estrutura - Na avaliação do presidente da Associação de Condutores e Brigadistas da Chapada Diamantina, professor Homero Vieira, os incêndios anuais poderiam ser evitados se houve um plano de ação.

"O fogo já era previsível e, portanto, poderia ter sido evitado por meio de ações de articulação entre os municípios e o Estado", cobrou ele, que é brigadista voluntário. Segundo Vieira, as labaredas chegam a alcançar entre 25 e 30 metros de altura.  "Nenhuma brigada conta com viaturas que facilitem a chegada aos focos", lamenta.

Para ele, as perdas são inestimáveis, tanto da flora quanto da fauna locais. "Os incêndios afetam toda a cadeia produtiva da região, porque empobrecem o solo, causa doenças respiratórias e afugentam os turistas", enumera.

 

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